Introdução
A medicina nuclear é uma das especialidades médicas mais revolucionárias dos últimos anos.
Seu poder está em mostrar o que o corpo ainda não revela: processos biológicos internos, funcionais e moleculares, antes que imagens convencionais consigam detectá-los.
Por meio do uso de substâncias radioativas seguras (radiofármacos), a medicina nuclear pode diagnosticar, avaliar e tratar múltiplas doenças: desde câncer até distúrbios neurológicos, cardíacos, inflamatórios e infecciosos.
O que diferencia a medicina nuclear de outras especialidades?
Ao contrário da radiologia tradicional, que mostra a anatomia, a medicina nuclear mede a função.
Isso significa que não vemos apenas como um órgão parece, mas como ele funciona.
Por exemplo, em um estudo renal, administra-se uma substância radioativa por via intravenosa para observar como os rins filtram o sangue e produzem urina. Assim, avalia-se a função renal e detectam-se obstruções mesmo antes de aparecerem em uma tomografia ou ultrassonografia.
Principais aplicações clínicas
Oncologia: detectar o câncer antes que apareça
Nos últimos anos, as técnicas de PET/CT e SPECT/CT revolucionaram o diagnóstico e o tratamento do câncer.
Esses métodos combinam imagens funcionais e anatômicas, permitindo localizar lesões tumorais em estágios iniciais e tratar alguns tipos de câncer em fases avançadas.
Entre os avanços mais notáveis no tratamento:
[^177Lu]Lu-PSMA-617 para câncer de próstata avançado, com excelentes resultados clínicos (Nature, 2024).
[^177Lu]Lu-DOTA-TATE, eficaz em tumores neuroendócrinos (Nature, 2024).
Radio-223, que melhora a sobrevida em pacientes com metástases ósseas (Frontiers in Nuclear Medicine, 2024).
Neurologia e cardiologia
Na neurologia, permite estudar o metabolismo cerebral, diagnosticar demências precoces ou mapear áreas epilépticas.
Na cardiologia, avalia a perfusão miocárdica e a viabilidade do músculo cardíaco.
Em infecções e inflamações, os traçadores detectam atividade biológica anormal onde outras técnicas não conseguem.
Diagnóstico funcional vs. diagnóstico anatômico
| Tipo de diagnóstico | O que mostra | Exemplo |
|---|---|---|
| Anatômico | Forma e estrutura | Uma tomografia mostra um tumor visível. |
| Funcional (nuclear) | Atividade biológica | Detecta células cancerígenas ativas antes de serem visíveis. |
Este enfoque complementar torna a medicina nuclear uma ferramenta essencial para diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados.
Equipamentos híbridos: PET/CT, SPECT/CT e PET/MR
Os equipamentos híbridos combinam o melhor de ambos os mundos:
Imagens funcionais (radiofármacos)
Imagens anatômicas (TC ou RM)
Isso permite localização exata de lesões e planejamento terapêutico mais eficiente.
Graças à integração digital, os sistemas atuais oferecem maior resolução, menor dose de radiação e exames mais rápidos.
Teranóstica: diagnóstico e tratamento em uma só técnica
A theranóstica (de therapy + diagnostics) é a grande revolução da medicina nuclear moderna.
Baseia-se em um princípio simples e poderoso:
“Primeiro se diagnostica a lesão com um radiofármaco, e depois se trata com o mesmo composto, mas com um isótopo terapêutico.”
Exemplos destacados:
Iodo-131 (I-131) na tireoide: diagnóstico e tratamento há décadas.
Lutathera (Lu-177-DOTA-TATE) em tumores neuroendócrinos.
Pluvicto (Lu-177-PSMA-617) em câncer de próstata resistente a hormônios (Reuters, 2025).
Segundo Frontiers in Medicine (2025), existem mais de 30 ensaios clínicos de fase 3 avaliando terapias radiometabólicas para diversos tipos de câncer.
Avanços recentes em medicina nuclear (2024–2025)
Novos radiotraçadores dirigidos a biomarcadores como PSMA, FAPI e LAT1 (SpringerLink, 2025).
Reconstrução de imagens com IA, melhorando qualidade e reduzindo dose.
Expansão da theranóstica para tumores hepáticos, de cólon e pâncreas.
Radionuclídeos alfa como o térbio-161, com resultados promissores em ensaios VIOLET (Austrália, 2025).
Maior acessibilidade graças à digitalização e à produção local de radioisótopos.
Desafios e futuro
Apesar dos avanços, a medicina nuclear enfrenta desafios importantes:
Produção limitada de radionuclídeos
Custos iniciais de equipamentos
Formação técnica especializada
Necessidade de regulação e segurança radiológica
No entanto, sua evolução é imparável. A medicina nuclear personalizada já é uma realidade e, em poucos anos, será parte do tratamento padrão para múltiplos tipos de câncer e doenças metabólicas.
Conclusão
A medicina nuclear não apenas diagnostica, mas salva vidas.
Detecta doenças antes de serem visíveis e oferece terapias que atacam diretamente a origem celular do problema.
Como dizem muitos especialistas:
“A medicina nuclear não vê o corpo, vê a vida dentro do corpo.”
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